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Lucro Presumido sob pressão: por que a tributação de lucros muda a lógica desse regime em 2026
escrito em 8 de janeiro de 2026

Durante muitos anos, o Lucro Presumido foi visto como um regime simples, previsível e financeiramente vantajoso para empresários, especialmente em empresas de serviços. Essa lógica começa a mudar a partir de 2026, não por uma alteração direta na forma de cálculo do regime, mas pelo impacto da tributação dos lucros na pessoa física.

Na prática, o que muda não é apenas o imposto, mas a lógica de decisão por trás da escolha do Lucro Presumido.

Por que o Lucro Presumido sempre foi atrativo para empresários?

O Lucro Presumido ganhou espaço por três motivos principais: simplicidade operacional, previsibilidade da carga tributária e facilidade na distribuição de lucros.

Como o imposto é calculado a partir de uma margem presumida definida pela legislação, muitas empresas conseguiam uma carga efetiva menor do que em outros regimes, especialmente quando suas margens reais eram superiores às presumidas. Além disso, a distribuição de lucros aos sócios, até então isenta na pessoa física, reforçava a atratividade do regime.

Para muitos empresários, o Lucro Presumido acabou se tornando um “regime padrão”, adotado sem revisões frequentes.

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O que muda quando os lucros passam a ser tributados na pessoa física?

Com a tributação de lucros e dividendos a partir de 2026, a principal vantagem histórica do Lucro Presumido começa a ser tensionada.

A distribuição de resultados, que antes funcionava como uma forma eficiente de remuneração do empresário, passa a sofrer retenção em determinados cenários. Isso não altera o imposto calculado na empresa, mas aumenta a carga total quando se olha empresa e sócio como um conjunto.

O regime continua existindo, mas a conta final muda, e essa mudança aparece justamente no momento da distribuição.

Leia também: Reforma da Renda 2025: O Dilema Estratégico da Distribuição de Lucros
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Por que o impacto tende a ser maior no Lucro Presumido do que em outros regimes?

No Lucro Presumido, o imposto da empresa é calculado sem considerar custos e despesas reais. Mesmo quando a margem da empresa diminui, a carga tributária corporativa permanece a mesma.

Quando a tributação dos lucros na pessoa física entra em cena, o empresário passa a sentir um efeito acumulado: imposto na empresa mais imposto na distribuição. Em regimes que permitem uma apuração mais próxima da realidade econômica, esse impacto pode ser melhor absorvido ou gerenciado.

No Presumido, essa flexibilidade é menor, o que torna o regime mais sensível às novas regras.

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O Lucro Presumido perde competitividade frente a outros regimes?

Com a tributação dos lucros na pessoa física, a comparação entre regimes deixa de ser apenas uma conta de imposto da empresa. O empresário passa a precisar olhar o custo total da operação, considerando empresa e sócio como um conjunto.

Em alguns cenários, regimes que antes pareciam menos atrativos passam a ganhar relevância, justamente por oferecerem maior flexibilidade na apuração do resultado ou na gestão da remuneração do sócio. Isso não significa que o Lucro Presumido deixe de ser viável, mas que ele perde a vantagem automática que teve por muitos anos.

A partir de 2026, a competitividade do regime passa a depender muito mais do perfil da empresa do que da simplicidade da regra.

Lucro Presumido ainda faz sentido após 2026?

Essa é a pergunta que muitos empresários começam a se fazer, e a resposta não é um simples “sim” ou “não”.

O Lucro Presumido pode continuar fazendo sentido para empresas com margens confortáveis, distribuição controlada de resultados e estratégia clara de reinvestimento. Por outro lado, negócios que dependem fortemente da distribuição mensal de lucros como principal forma de remuneração do sócio podem perceber perda de eficiência.

A partir de 2026, manter o Lucro Presumido sem revisões periódicas se torna uma decisão mais arriscada.

Empresas no Lucro Presumido precisam mudar a política de pró-labore?

A relação entre pró-labore e distribuição de lucros ganha novo peso com a tributação dos dividendos. No Lucro Presumido, era comum manter pró-labores reduzidos e concentrar a remuneração do empresário na distribuição de resultados.

Com as novas regras, essa estratégia pode deixar de ser eficiente em alguns casos. Ajustar o pró-labore, rever a frequência das distribuições e equilibrar as formas de remuneração passa a ser uma decisão estratégica, que impacta tanto a carga tributária quanto a previsibilidade de renda do empresário.

Esse equilíbrio deixa de ser padrão e passa a exigir análise individualizada.

Vale a pena reduzir a distribuição de lucros e reinvestir mais na empresa?

Diante das mudanças, muitos empresários começam a considerar o reinvestimento como alternativa à distribuição frequente de lucros. No Lucro Presumido, essa decisão passa a ter impacto direto não apenas no crescimento do negócio, mas também na eficiência tributária do conjunto empresa–sócio.

Reinvestir pode fazer sentido em determinados contextos, mas não é uma solução automática. É preciso avaliar retorno esperado, necessidade de capital, impacto no caixa pessoal e objetivos de longo prazo. Reduzir a distribuição sem estratégia pode gerar novos desequilíbrios, em vez de resolver o problema tributário.

Quais decisões precisam ser reavaliadas por empresas no Lucro Presumido?

A mudança na tributação força uma revisão de práticas que antes eram quase automáticas. Entre elas:

  • política de distribuição de lucros ao longo do ano
  • equilíbrio entre pró-labore e distribuição de resultados
  • estratégia de reinvestimento dentro da empresa
  • organização societária e patrimonial dos sócios
  • comparação com outros regimes tributários

Essas decisões deixam de ser apenas contábeis e passam a impactar diretamente o caixa pessoal do empresário e a sustentabilidade do negócio.

Por que tratar o Lucro Presumido como “regime padrão” ficou mais arriscado?

O principal risco, a partir de agora, não está no Lucro Presumido em si, mas na falta de revisão estratégica. O ambiente tributário se tornou mais dinâmico, e decisões que funcionaram bem por anos podem deixar de ser eficientes em poucos ciclos.

Empresas que continuam tratando regimes tributários, como algo estático tendem a sentir o impacto de forma mais abrupta. Já aquelas que analisam margens, distribuição e estrutura com antecedência ganham previsibilidade e capacidade de ajuste.

Leia também: Quando o negócio não é totalmente seu: como a estrutura societária impacta decisões estratégicas
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O papel da contabilidade na reavaliação do Lucro Presumido

Nesse novo cenário, a contabilidade deixa de ser apenas operacional e passa a apoiar decisões de negócio. Avaliar se o Lucro Presumido ainda é o melhor caminho exige leitura conjunta de números, estratégia e perfil do empresário.

Mais do que mudar de regime, o desafio passa a ser escolher conscientemente, com base em dados e cenários reais.

Conexão com o tema central

Este conteúdo complementa a discussão sobre a tributação de lucros e dividendos ao aprofundar seus efeitos específicos sobre empresas no Lucro Presumido. Enquanto o impacto geral já está posto, entender como ele se manifesta em cada regime é o que permite decisões mais seguras a partir de 2026.

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